Neste mês de março a Comunidade Arca da Aliança celebra o aniversário de 25 anos de sua fundação; é o seu Jubileu de prata. E para bem celebrarmos esta festa, convido a você para, juntos, voltarmos no tempo e percorrermos as linhas que teceram esses 25 anos de sua história. Durante todo este mês apresentaremos, a cada dia, um episódio contado por seu protagonista, o fundador Diácono Elias.
O Natal de 1985
Neste período estava passando por certo esgotamento físico ou até mesmo mental, enfim, era um cansaço, resolvi pedir minhas férias na empresa e fui atendido. Juntei mais alguns dias que tinha em haver e somou 36 dias de férias. Foi providencial para o meu descanso e para as tomadas de decisões que tínhamos que fazer. Nestas alturas dos acontecimentos já tinha caído por terra todas as minhas ambições profissionais, planos pessoais, etc.. O que contava agora era fazer a vontade de Deus.
Foi com este sentimento que resolvemos passar alguns dias das nossas férias em retiro, para tomarmos as decisões à luz da Palavra e marcamos de passar o período entre Natal e Ano Novo em Curitiba, com as irmãs Beneditinas. Estava tudo programado, mas Deus, que é rico em misericórdia, tinha reservado algo maior e melhor para nos.
Havíamos recebido um comunicado das irmãs que não poderíamos ir mais. Ficamos abatidos e sem saber para aonde ir. Só sabíamos que este retiro deveria ser fora da cidade, para realmente nos encontrarmos conosco mesmo e com a vontade do Senhor.
Foi quando apareceu um amigo nosso, seminarista, que sabendo do nosso desejo, sugeriu que fossemos ter com Pe. Aloísio, em Nereu Ramos, que havia lugar de bom acolhimento e que ele, por sua experiência, iria nos ajudar muito em nossa decisão. Ele mesmo se encarregou de marcar para nos. Tomamos a litorina e fomos, na certeza de voltarmos com uma definição a esse respeito, o que, de fato, aconteceu.
Minha primeira sensação, ao chegar, foi de medo, apesar do bom acolhimento do Pe. e das irmãzinhas que lá conviviam. O medo era, talvez, de que o Pe. não fosse entender nada do que queríamos e iria nos mandar de volta para criarmos juízo ou até mesmo se ele viesse a dar o seu aval e já entre estas duas possibilidades já não sabia qual seria a melhor era tudo muito inseguro e incerto para ser verdade, mas enfim, disse comigo mesmo, seja o que Deus quiser.
Ao final dos quatro dias que passamos lá com aquela comunidade e termos tido algumas conversas com Pe. Aloísio, ele nos chamou e disse ver nisso a vontade de Deus e que nós fossemos e começássemos porque o tempo já tinha chegado. Confesso que pela primeira vez senti todo o peso do mundo sobre os meus ombros. Talvez o peso da comunidade que nascia e todo o seu desenrolar durante minha existência.
Abriu-se aí também um caminho para a espiritualidade que iríamos assumir com Pe. Aloísio, que por muitos anos continuou nos orientando dentro da vontade do coração misericordioso de Jesus, sendo um pai espiritual, um amigo muito especial da comunidade. Toda a nossa espiritualidade passou por aqui. Hoje bebemos ainda nesta mesma fonte do Coração de Jesus, porém, por vias diferentes.
Diácono Elias Dimas dos Santos
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